Rotary Club de Viseu ajuda APPDA-Viseu

“O apoio financeiro representa a esperança de mais
terapias e trabalho que estas crianças e jovens tanto necessitam”

Divulgamos mais um projecto enquadrado no novo regulamento de candidatura a projectos de apoio da Fundação Rotária Portuguesa (FRP). Conversámos com Maria José Gonçalves Santos, do Rotary Club de Viseu, responsável por acompanhar o projecto “Integração de crianças com autismo – APPDA-Viseu”, que decorreu entre os meses de Março e Junho deste ano. O projecto enquadrou-se na ênfase “Alfabetrização e Educação”.

Notícias (N.) – O Rotary Club de Viseu já candidatou, sete projectos. Que balanço faz?
Maria José Santos (M.J.S.) – Relativamente aos seis projetos desenvolvidos em parceria com a APPDA Viseu o balanço é muito positivo pois permitiu um conjunto de iniciativas que têm capacitado crianças, adolescentes e respectivas famílias. Sem a referida parceria não seria possível a esta associação realizar o leque de actividades descrito nos diversos relatórios dos projectos (“Workshops”/Formação, Dançoterapia, intervenções individualizadas nas escolas…). A parceria é de tal forma importante que o Rotary sente que tem contribuído para a sustentabilidade desta associação, até porque não dispõe de apoio financeiro da Segurança Social.
N. – De todos os projectos candidatados só um não envolveu temática relativa à ajuda de instituição, familiares e crianças com problemas do espectro do autismo. Porquê esta área específica?
M.J.S. – Porque se trata de uma Associação com um trabalho relevante e comprovado na e pela comunidade. Têm tido uma intervenção valiosa na área da educação e da saúde mental no distrito de Viseu, quer na articulação com os professores, quer no apoio directo aos pais/familiares de crianças e jovens com perturbações do espectro do autismo. Sem financiamento da Segurança Social, a APPDA-Viseu sobrevive com o apoio de donativos e quotas de sócios o que garante a sobrevivência, mas não a excelência de que a Associação necessita e que é visível. Numa Associação que ganhou a Certificação de Qualidade europeia, urge dar-lhe mecanismos para continuarem este serviço de qualidade e, felizmente temos sido uma preciosa ajuda neste sentido. Os companheiros do Rotary Club de Viseu têm participado em diversas iniciativas da APPDA-Viseu, até porque alguns deles são também voluntários na Associação, e temos comprovado o impacto que as técnicas/sessões financiadas pela Fundação Rotária Portuguesa têm, principalmente, ao nível das competências educativas e sociais.
N. – O presente projecto “Integração de crianças com autismo – APPDA-Viseu” insere-se na ênfase “Alfabetização e Educação”. É um projecto ambicioso. Quer comentar?
M.J.S. – O projecto é de facto, ambicioso pois investe no futuro, trabalhando-se hoje para preparar o amanhã. Todos os estudos demonstram que é muito eficaz e financeiramente mais compensador para o Estado e para a comunidade investir na prevenção, ao invés de remediar problemáticas instauradas, enraizadas e cuja reversão é difícil. As fotos que disponibilizamos sobre este projecto contribuem para esclarecer sobre a intervenção financiada pela Fundação Rotária Portuguesa e que tem permitido o apoio diário, em contextos específicos, de 13 crianças inseridas em sala de “ensino regular”. Tal como em outros projectos financiados há também uma componente de sensibilização/formação dos pais bem como dos técnicos/professores destas crianças.
N. – Qual é a metodologia de acção?
M.J.S. – A metodologia deste projeto inclui: Sessões de esclarecimento/reflexão/debate com os pais e os técnicos/professores das escolas com vista à explicação/formação da metodologia deste projeto; formação às estagiárias da escola Superior de Educação e às voluntárias que se juntaram à equipe; intervenção diária e sistemática junto de 13 crianças cuja prioridade de intervenção foi referenciada como sendo essencial para a sua inclusão na Sala do regular; intervenção faseada junto de 12 crianças que necessitavam apenas de apoio em contextos específicos (refeitório, recreio, determinadas disciplinas, etc.); reuniões mensais de equipa APPDA, professores e psicólogos/pedopsiquiatra e pais de modo a avaliar/ajustar a intervenção e avaliação da intervenção feita e apresentação de resultados.
N. – Para a concretização deste projecto celebraram parcerias? Se sim com quem?
M.J.S. – Sim, foram estabelecidas parcerias com as 13 escolas onde estão integradas crianças seguidas pela APPDA-Viseu com vista a permitir a presença das técnicas e voluntárias da associação dentro da escola e dentro da sala do regular; com o Departamento de Psiquiatria Infantil (do Centro Hospitalar Tondela-Viseu-EPE) para a dispensa de carga horária em técnicos que se deslocavam às escolas; Escola Superior de Educação de Viseu para a dispensa de jovens estagiárias que dinamizavam, sob orientação o apoio a crianças e jovens dentro da sala do regular e com Grupo NYB para apoio financeiro (conforme previsto na candidatura à Fundação Rotária Portuguesa).
N. – Qual a reacção das famílias e da APPDA-Viseu a esta ajuda do Rotary Club de Viseu?
M. J. S. – É visível, em eventos conjuntos, a satisfação dos familiares de utentes pelo apoio prestado pelo clube, tanto aos filhos como ao restante núcleo familiar. O apoio financeiro representa a esperança de mais terapias e trabalho que estas crianças e jovens tanto necessitam. Sem ela algumas famílias principalmente as mais carenciadas dificilmente poderiam ter acesso a estas intervenções. De realçar que alguns alunos da Universidade Sénior de Rotary (USAVIS) também são Voluntários da APPDA-Viseu e, por exemplo, o grupo de alunos da disciplina de História tem patrocinado aulas de hipoterapia para crianças com menores recursos financeiros.
N. – Planos para o futuro. Continuar a desenvolver projectos nesta área? Ou abraçar outros?
M.J.S. – Pretendemos continuar a desenvolver projectos que apoiem esta área, pois os resultados são muito positivos e o empenho de todos tem levado a que os objectivos sejam continuamente atingidos. Refira-se que a área do autismo é ainda uma incógnita, não havendo causas, tratamentos ou cura com comprovação científica. Há no entanto uma certeza: estas crianças e jovens carecem de intervenção, precoce intensiva, especializada o que pode fazer a diferença entre uma autonomia ainda que algo controlada e a institucionalização. Importante é também referir que os casos de diagnóstico de autismo têm disparado de ano para ano de tal forma que a Organização Mundial de Saúde o considera o mais grave problema das perturbações do desenvolvimento infantil. Só na APPDA-Viseu estão diagnosticados 176 casos sendo por ela acompanhados diretamente 143 casos.