Entrevistámos os melhores bolseiros 2014/15
da Fundação Rotária Portuguesa

A bolsa é decisiva no apoio ao estudo

“Notícias” conversou, recentemente, com os dois jovens estudantes, Sofia Amado Lourenço Lopes Salgueiro e Tiago Oliveira Pedro, que além de terem em comum o facto de serem os dois melhores bolseiros da Fundação Rotária Portuguesa (FRP) – Distrito Rotário 1960 e Distrito Rotário 1970, respetivamente –, têm outra característica que os une: curiosamente ambos frequentam a Universidade de Coimbra. Embora com planos de estudo distintos, ela frequenta o 2.º ano da licenciatura em Serviço Social pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, ele o 2.º ano do Mestrado Integrado em Medicina na Faculdade de Medicina, mantêm a excelência e colhem os frutos do mérito de serem bons alunos e, por consequência, são exemplo para outros estudantes. O facto de serem oriundos de famílias com poucos recursos financeiros, não foi impeditivo para continuarem o percurso académico. A sua determinação e a das respetivas famílias, a humildade, o querer e o sentido de responsabilidade destes jovens constituem o mote da entrevista. No decorrer da conversa ambos abordam a caminhada estudantil, o facto de serem bolseiros e partilham os seus anseios e objetivos para o futuro.

 

Sofia Amado Salgueiro: o prémio ajuda a colmatar as despesas com a faculdade

Notícias (N.) – O que é que te motiva a seres uma boa aluna?
Sofia Amado Salgueiro (S.A.S.) – Eu desde cedo tive objetivos tanto a nível pessoal como académico, desta forma quis sempre fazer o melhor que sei e que posso, porque sei e acredito que tenho capacidades de fazer mais e melhor, como também o gosto por alargar os meus horizontes.
N. – Ficaste surpreendida por teres sido escolhida para receber um prémio de âmbito escolar. Neste caso o Prémio Teixeira Lopes, que configura um dos galardões entregues ao melhor bolseiro(a) da Fundação Rotária Portuguesa (Distrito Rotário 1960)?
S.A.S. – Sim, muito. Quando recebi a notícia que iria receber um prémio dessa importância nem queria acreditar mas, por outro lado, fiquei orgulhosa de mim.
N. – Em que medida é que o prémio te ajuda?
S.A.S. – Este prémio ajudou-me essencialmente a dois níveis: financeiramente, como é óbvio, pois ajuda a colmatar as despesas com a faculdade, visto que me encontro a estudar no Ensino Superior; a nível pessoal, foi muito gratificante para mim, aumentou ainda mais o patamar dos meus objetivos e a minha autoestima/autoconfiança.
N. – Quais as principais dificuldades que tiveste ao passares do Ensino Secundário para o Ensino Superior. Tendo em conta que mudaste a tua residência habitual do Entroncamento para Coimbra?
S.A.S. – As principais dificuldades com que me deparei com essa mudança foram essencialmente o tamanho da cidade, pois o Entroncamento embora seja considerada cidade é muito pequeno em comparação com Coimbra; fazer amigos/as na residência onde vivo e a exigência dos professores universitários.
N. – Como é estar a estudar na Universidade mais antiga do país?
S.A.S. – É maravilhoso, é uma honra, eu costumo dizer que é um sonho tornado realidade pois, apesar de acreditar nas minhas capacidades estudar na Universidade de Coimbra, uma das melhores Universidades de Portugal e do Mundo, faz-me sonhar mais alto e pensar que se cheguei até aqui posso ir muito mais além.
N. – Estás a frequentar o 2.º ano da licenciatura em Serviço Social pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Quais são as tuas expectativas após a conclusão do curso?
S.A.S. – Primeiramente é acabar o curso no tempo esperado (3 anos e meio) e com boas notas e depois se houver possibilidades financeiras embarcar num mestrado na área da psiquiatria social e cultural. E, por último, arranjar emprego na minha área.

Num minuto…

Nome: Sofia Amado Lourenço Lopes Salgueiro
Idade: 18 anos
Natural: Santarém
Reside: Entroncamento
Hobby: Zumba
Livro preferido: Os Maias
Disco/músico preferido: Michael Buble
Filme que mais gostei: A culpa é das Estrelas
Prato preferido é: Carne de porco à alentejana
Praia: São Martinho do Porto
País: Portugal
Férias em: São Martinho do Porto
Viagem que gostava de fazer: Cabo Verde
Objectivo de vida: Nunca desistir das coisas
O que me inspira é: O que me move é ter objetivos na vida pois quando se têm objetivos nunca e nada nos consegue derrubar

 

Tiago Oliveira Pedro: o prémio é uma importante ajuda nas minhas despesas com o curso

Notícias (N.) – O que é que te motiva a seres um bom aluno?
Tiago Oliveira Pedro (T.O.P.) – Hoje em dia ninguém é bom aluno por um motivo singular. Acho que pré-disposições intrínsecas como autodeterminação e sede de conhecimento sempre me fizeram querer alcançar alguma estabilidade profissional no futuro. Ser bom aluno, seja em que área for, permite-nos pertencer a uma elite privilegiada que trabalha naquilo que gosta e que simultaneamente é recompensada por isso. 
N. – Ficaste surpreendido por teres sido escolhido para receber um prémio de âmbito escolar. Neste caso o Prémio Casal Melich, que configura um dos galardões entregues ao melhor bolseiro(a) da Fundação Rotária Portuguesa (Distrito Rotário 1970)?
T.O.P. – Sem dúvida. Todos nós, bolseiros da Fundação, somos excelentes alunos e é difícil ser o melhor dos melhores. Ao longo do Ensino Secundário, sempre tentei ter a melhor prestação escolar possível e nunca tinha ouvido falar do Prémio Casal Melich, até receber a notificação de que, de facto, o tinha ganho. Fiquei surpreso, mas ao mesmo tempo feliz por ver o meu trabalho reconhecido.
N. – Em que medida é que o prémio te ajuda?
T.O.P. – O prémio constitui uma importante ajuda monetária nas minhas despesas com o curso. Os estudantes, como eu, que não vivem na cidade da sua instituição de ensino, deparam-se com gastos extras, para além das propinas que alcançam os milhares de euros; a renda da casa, as viagens de autocarro e comboio, já para não falar no custo dos livros e restantes materiais de estudo. Para uma família com dificuldades económicas, torna-se extremamente difícil manter um filho a estudar na Universidade, e é precisamente esta falha que o Prémio veio ajudar a colmatar.
N. – Quais as principais dificuldades que tiveste ao passares do Ensino Secundário para o Ensino Superior. Ainda te recordas?
T.O.P. – O Ensino Secundário proporcionava bons professores que nos orientavam diariamente e se focavam mais em realmente perceber a matéria do que decorá-la. No Ensino Superior, para além do volume teórico por Unidade Curricular ser bastante superior a qualquer disciplina do Ensino Secundário, a maior parte dos estudantes sentem-se perdidos por não saber exatamente por onde estudar, como estudar e o que estudar. Na Universidade, o ensino é muito mais autodidata do que antes.
N. – Como é estar a estudar na Universidade mais antiga do país?
T.O.P. – A Universidade de Coimbra está longe de ser perfeita. A desorganização, instalações precárias e falta de consideração pelos alunos, por vezes é demasiada. No entanto, Coimbra oferece um espirito inconfundível e exclusivo para os seus estudantes que promove a autoajuda, integração, amizade e permite ter a melhor experiência académica do país. É incrível como a cidade gira à volta dos estudantes.
N. – Estás a frequentar o 2.º ano do Mestrado Integrado em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Quais são as tuas expectativas após a conclusão do curso?
T.O.P. – Já lá vai o tempo em que o estereótipo de que os médicos trabalham pouco e ganham bem se verifica. A realidade da Medicina em Portugal já começa a incluir algum desemprego e, num futuro próximo, médicos indiferenciados. Após concluir o curso, terei de ponderar sobre o tipo de especialidade que quero seguir: médica, cirúrgica ou médico-cirúrgica. Sempre fui fascinado pela intervenção direta sobre o corpo humano que a cirurgia oferece. No entanto, não descarto a possibilidade de uma especialidade mais virada para o diagnóstico e tratamento, como Neurologia.
Para alunos como nós, com um curso demasiado extenso e cujo futuro está dependente de uma prova final de curso, o melhor é não criar expectativas que nos possam desiludir.

Num minuto…

Nome: Tiago Oliveira Pedro
Idade: 19 anos
Natural: Figueira da Foz
Reside: Coimbra
Hobby: Cinema, correr, passear
Livro preferido: A Fórmula de Deus
Disco/músico preferido: Oh Wonder, The Weeknd, The Neighbourhood
Filme que mais gostei: Cloud Atlas
Prato preferido é: Picanha
Praia: Praia da Claridade
País: Suécia, pela mentalidade e organização
Férias em: Londres
Viagem que gostava de fazer: 4 dias em Amesterdão
Objectivo de vida: ser bem-sucedido
O que me inspira é: A ciência e o corpo humano