RC Santo Tirso: criação de horta comunitária potencia práticas e hábitos de trabalho aos utentes

Candidatura a projectos de apoio da Fundação Rotária Portuguesa 

“Notícias” da Fundação Rotária Portuguesa (FRP) dá continuidade à divulgação de projectos enquadrados no âmbito do novo regulamento de candidatura a projectos de apoio. Neste sentido, falamos com Manuel Camilo de Sousa, actual presidente do Rotary Club de Santo Tirso, a propósito do projecto “Criação de 1 horta comunitária – Apoio Asas Santo Tirso”, enquadrado na ênfase “Combate à Fome e à Pobreza”.

 

Notícias (N.) – Como decorreu o processo de candidatura?
Manuel Camilo de Sousa (M.C.S.) – A autora do processo de candidatura foi a nossa ex-companheira Isabel Machado (entretanto bruscamente falecida em Maio p.p.) com o apoio expresso de todo o clube. Na qualidade de presidente coube-me a singularidade de ter acompanhado nos vários passos burocráticos e sobretudo nas reuniões com a ASAS – Associação de Solidariedade e Acção Social de Santo Tirso aquando do arranque do mesmo. É minha opinião que o aspecto burocrático decorreu bem e célere junto da FRP – Fundação Rotária Portuguesa.
N. – Qual o alcance do projecto?
M.C.S. – Para além de formar competências na área da horticultura, dentro do contexto de crise social e económica, aliado aos problemas de desemprego e pobreza, pretende-se combater as fragilidades humanas proporcionando o convívio e solidariedade social; combater ainda o isolamento dos beneficiários criando-lhes um espaço ocupacional e terapêutico com formação na área da gestão eficiente de recursos e sustentabilidade, envolvendo-os nas várias acções que irão ser desenvolvidas conforme o projecto. Visa-se ainda a redução dos problemas sociais e psíquicos de todo o agregado familiar
N.  – Como surgiu a ideia de criar uma horta comunitária?
M.C.S. – O projecto nasce das necessidades apresentadas pelos inúmeros utilizadores do Gabinete de Acção Social da ASAS. São utilizadores com perfil caracterizado essencialmente por: desemprego; situação económica de grande precariedade, (apenas beneficiam de mínimas reformas e do RSI); isolamento social; incidência com diagnóstico de perturbação psíquica; baixa taxa de habilitações escolares.
N. – Quem mais está envolvido para além do RC Stº Tirso?
M.C.S. – Para além do Rotary Club de Santo Tirso, estão envolvidas a ASAS – Associação de Solidariedade e Acção Social e a Escola Profissional Agrícola Conde de S. Bento, ambas situadas na cidade de Santo Tirso.
N. – Que balanço pode ser feito?
M.C.S. – Este projecto denominado “Cultivando Conquistas”, no decorrer da sua implementação tem alcançado resultados muito positivos, quer em termos da envolvência dos seus participantes, quer ao nível das acções esperadas e desenvolvidas na vigência do projecto, quer nas práticas e hábitos de trabalho. Importante realçar o ganho ao nível alimentar resultante da plantação dos legumes e a respectiva distribuição de excedentes; realçar ainda a assiduidade durante estes 9 meses, comparecendo diariamente na horta para a manutenção do espaço e cultivo dos produtos.
N. – Como está a decorrer a acção?
M.C.S. – Para além do cultivo e plantação de produtos hortícolas, estão paralelamente a ser desenvolvidas outras actividades como: reuniões mensais com o director da escola Agrícola, promovendo sessões de esclarecimento no sentido de melhorar o desempenho na área agrícola e informando os interessados sobre as temáticas de bens a cultivar durante as estações do ano, dos produtos de preservação das culturas, dos métodos e técnicas de produção agrícola, do regadio e colheita, entre outros temas relacionados.
N. – Qual foi a receptividade dos formando a esta acção complementar? (Gestão eficiente de recursos e ensino de competências.
M.C.S. – Este Plano de Formação “Gestão Eficiente de Recursos” foi perspectivado para o período de Inverno, com início em Janeiro. Abrangerá através de várias sessões em salas de formação da ASAS temas como: “Cozinhar muito e saudável com pouco” – aqui procurar-se-á ministrar estratégias de poupança na cozinha pela confecção de refeições saudáveis; “Organizar a sua vida financeira” – Apresentar estratégias eficazes no combate a ciclos de privação, melhorando a qualidade de vida dos mais vulneráveis, desenvolver competências básicas de literacia financeira; “Usar o Mercado liberalizado do Gás e Electricidade” – Informando e dando competências para poderem optar pelos serviços que melhor sirvam os seus interesses; “Quais os seus Direitos e Deveres enquanto Consumidor e como Elaborar uma Reclamação” – Dotar os participantes de conhecimentos dos seus direitos e deveres, contribuindo para o exercício de uma cidadania activa e “Saber como ocupar os Tempos Livres” – Dar a conhecer várias formas de ocupar os tempos livres com o menor impacto orçamental, aprendendo a construção de vários jogos em família.
N. – Pretende desenvolver ainda mais este projecto? Ou outras áreas?
M.C.S. – O clube tenciona de futuro desenvolver mais ainda este projecto, dentro de parâmetros similares e em parcerias estruturadas, porque as necessidades de apoio social são muito evidentes.