Estudante de bioquímica implementa projecto
inovador para detecção de Malária

“A bolsa da Fundação Rotária Portuguesa tornou-se
essencial para o pagamento das propinas anuais”

Amélia Delessi Caquarta, estudante, está a concluir a licenciatura em Bioquímica, na Universidade Nova de Lisboa. A propósito do contributo da professora Maria Manuel Mota para a erradicação da Malária com a descoberta de uma vacina, Rotary em Acção conversou com a jovem estudante angolana, que apresentou como trabalho de final de curso a “mini-tese” intitulada “Nanoimunoensaio para detecção da malária em amostras biológicas”. É sobre este seu contributo para o meio científico e a importância da aplicabilidade do seu trabalho em condições reais de detecção da Malária que falámos com Amélia Delessi que desde o 12.º ano é apoiada com bolsa de estudo do Rotary Club da Moita e Fundação Rotária Portuguesa

Rotary em Acção (R.A.) – O que a levou a enveredar, academicamente, pela licenciatura de Bioquímica?
Amélia Delissi (A.D.)Desde pequena que tenho grande interesse em biologia. O gosto pela química foi surgindo ao longo do liceu. A licenciatura em Bioquímica suscitou o meu interesse devido à mistura entre estas duas áreas.
R.A. – Actualmente em que fase está o seu percurso académico?
A.D.Encontro-me no último ano da licenciatura.
R.A. – Terminou, recentemente, um trabalho elaborado ao longo de um semestre e que se insere no final da licenciatura. Quer, sucintamente, explicar em que consistiu?
A.D. – Na licenciatura em Bioquímica temos a oportunidade de realizar um projeto num laboratório de investigação durante o segundo semestre do terceiro ano. O meu projecto consistiu no desenvolvimento de um teste de diagnóstico inovador para a deteção de Plasmodium falciparum, um dos parasitas de Malária que estão na origem da maior parte das infeções. Os testes são baseados em nanopartículas de ouro.
R.A. – O trabalho intitula-se “Nanoimunoensaio para detecção da malária em amostras biológicas”. Qual o efeito prático que pode ter?
A.D. – Procuramos desenvolver um Teste de Diagnóstico Rápido de Malária em tiras de papel de filtro, baseado em nanopartículas de ouro. Estes testes poderão ser utilizados por qualquer profissional de saúde e por pacientes, sem que haja necessidade de uma formação excessiva. Para além disso, os testes são produzidos com o fim de serem de baixo custo económico.
R.A. – A “mini-tese” como lhe chama está de alguma forma ligada à actividade desenvolvida pelo Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Universidade de Lisboa, no que diz respeito à Malária?
A.D. – Sim. O projeto foi realizado no laboratório do professor Ricardo Franco (REQUIMTE, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Caparica), sob a orientação directa da dra. Inês Gomes, que pertence ao grupo de investigação do dr. Miguel Prudêncio do Instituto de Medicina Molecular (IMM). O dr. Miguel Prudêncio, para além de colaborar no Projecto de Diagnóstico de Malária, está a desenvolver uma nova vacina para a Malária ao abrigo de um Projecto da Bill and Melinda Gates Foundation.
R.A. – Que comentário lhe merece o trabalho desenvolvido pela investigadora do IMM Maria Manuel Mota, na área da Malária, ao ter descoberto a vacina para esta doença.
A.D. – Estou familiarizada com o trabalho da professora Maria Manuel Mota. A sua determinação no estudo do parasita e a sua contribuição para a erradicação da Malária é certamente uma inspiração. Como estudante, o que me motiva a continuar na área de ciências naturais é o trabalho de investigadores como a professora Maria Manuel Mota.
R.A. – Tem conhecimento da intenção do Rotary Club de Oeiras em liderar um processo de candidatura a um subsídio global da Fundação de Rotary Internacional designado “Let’s Put an end to Malaria”? Qual a sua opinião?
A.D. – Esta é uma iniciativa muito interessante, como as outras iniciativas da Fundação de Rotary Internacional. O rotário Afonso Malho, do Rotary Club da Moita, numa das cerimónias de entregas de diplomas aos bolseiros apresentou as várias iniciativas de Rotary e mencionou que para haver formação é preciso ter saúde. Possuo a mesma opinião que ele.
R.A. – Qual o caminho, ou caminhos, a seguir agora que concluiu um trabalho onde demonstra a importância da utilização da nanotecnologia na luta contra a Malária?
A.D. – Sinto-me muito tentada a seguir para o Mestrado em Biotecnologia. No primeiro semestre do terceiro ano tive a oportunidade de escolher uma unidade curricular que não faz parte da licenciatura em bioquímica mas que é lecionada na Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa. Escolhi biomateriais e durante um semestre aprendi a aplicação da Nanotecnologia na Medicina. Há muito que a Nanotecnologia nos pode oferecer.
R.A. – O seu percurso académico está ligado de alguma forma ao Rotary Club da Moita pois durante quatro anos foi bolseira. Como descobriu o movimento rotário? Que importância teve para si esta bolsa de estudo e a ajuda proporcionada através da Fundação Rotária Portuguesa?
A.D. – O Rotary Club da Moita foi-me apresentado por uma professora da Escola Secundária da Moita quando me encontrava no 12.º ano. Nessa altura a bolsa contribuiu para o pagamento das despesas de transporte e material escolar. Quando ingressei ao ensino superior, a bolsa da Fundação Rotária Portuguesa tornou-se essencial para o pagamento das propinas anuais.
R.A. – Sente-se de alguma forma atraída pelo movimento rotário, nomeadamente, pelos clubes de jovens, de que é exemplo o Rotaract, enquanto agregador de jovens que actuam nas comunidades desenvolvendo valores como a solidariedade?
A.D. – Sim. Conheci o Rotaract na cerimónia de entrega dos diplomas do Rotary Club da Moita de 2014. O movimento cativou de imediato o meu interesse. De momento não faço parte pois estou a tentar conciliar as actividades da Associação Juvenil da Quinta Fonte da Prata, de qual faço parte, e a faculdade. Planeio, no entanto, participar no Rotact do Barreiro assim que tenha mais disponibilidade.
R.A. – Que conselho(s) daria aos jovens investigadores que estão a iniciar a caminhada na descoberta de novas técnicas/soluções.
A.D. – Não me sinto na posição de dar conselhos, uma vez que também eu estou a iniciar esta caminhada. O que eu posso dizer é que a motivação está na curiosidade e o produto está no trabalho.
R.A. – Projectos para o futuro?
A.D. – De momento planeio candidatar-me a um mestrado, quando terminar a licenciatura. Posteriormente gostaria de trabalhar em projectos relacionados com a malária ou com o desenvolvimento de testes de diagnóstico.

Num minuto…

Nome: Amélia Delessi Caquarta
Idade: 21 anos
Natural: Angola
Reside: Setúbal
Hobby: cinefilia
Livro preferido: “A Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera
Álbum preferido: “Trouble Will Find Me”, The National
Filme que mais gostei: “A Pele Onde Eu Vivo”, de Pedro Amodóvar
O meu prato preferido é: Salmão com batatas ao forno
Praia: Praia de Sesimbra
País/Cidade: Tomar
Férias em: Maputo, Moçambique
Viagem que gostava de fazer: Índia